Duplo Diamante: como utilizar esse método do Design Thinking
1 de julho de 2025Por Iolanda Santos (LinkedIn, abre em nova aba)
No mundo do design e da inovaçã a capacidade de resolver problemas complexos de maneira criativa é essencial. Neste artigo, exploraremos o conceito do Duplo Diamante, discutindo suas origens, aplicação prática e como ele pode transformar a forma como equipes e organizações abordam a inovação. Ao longo do texto, veremos como este modelo não apenas organiza o pensamento criativo, mas também facilita a colaboração e a criação de soluções impactantes.
No mundo do design e da inovação, a capacidade de resolver problemas complexos de maneira criativa é essencial. Neste artigo, exploraremos o conceito do Duplo Diamante, discutindo suas origens, aplicação prática e como ele pode transformar a forma como equipes e organizações abordam a inovação. Ao longo do texto, veremos como este modelo não apenas organiza o pensamento criativo, mas também facilita a colaboração e a criação de soluções impactantes.
Mas antes, o que é Design Thinking?

O Design Thinking é um conceito que “nasceu” do design, mas pode ser aplicado a praticamente todas as situações que requerem levantamento de problemas e buscas de soluções. Seja no próprio Design ou em qualquer área onde haja a necessidade de resolver um problema.
Uma definição que explica bem o que é o Design Thinking é do Interaction Design Foundation (em tradução livre):
“ É um processo iterativo que fornece uma abordagem baseada no entendimento do usuário para propor suposições e redefinir problemas. É utilizado na tentativa de identificar estratégias e soluções alternativas que, podem ou não, ser evidentes nessa etapa inicial para que assim seja possível resolver problemas.”
Leia mais (abre em nova aba) sobre essa definição.
Em essência, o processo de Design Thinking coloca as necessidades e os requisitos do usuário em primeiro lugar. Por isso, o primeiro estágio do processo é dedicado a construir empatia com seus usuários-alvo e entender suas necessidades, expectativas e comportamentos.
Dessa forma, as pessoas usuárias são colocadas no centro do desenvolvimento do produto. Fazendo com que as equipes trabalhem na solução de problemas com um direcionamento melhor, antes mesmo de começar a desenhar algum serviço ou produto.
Dentro do design thinking não há uma única ferramenta, mas sim um apanhado de ferramentas que ajudará as pessoas envolvidas a idealizar o objetivo daquele projeto. É usando algumas dessas inúmeras ferramentas que será possível ver o quão alinhado está o pensamento inicial com a real necessidade das pessoas que serão consumidoras. Além disso, essa abordagem tem alguns pilares importantes que ajudam a entender e trabalhar com alguns pontos durante todo o processo.

Empatia
Capacidade de compreender o sentimento ou reação de outra pessoa, imaginando-se nas mesmas circunstâncias. O que contribui para que as pessoas desenvolvam respeito, tolerância, discussões sadias e busca de consensos.
Colaboração
Pensar conjuntamente, se comunicar e co-criar em equipes multidisciplinares para que os envolvidos possam se apropriar e conduzir o processo à sua maneira, aumentando a capacidade de entendimento.
Experimentação
A base do Design Thinking, é a iteração, isso é, repetição. Durante o projeto é possível que os objetivos mudem. Então, é comum voltar para algumas das fases para rever algum conceito inicial ou alterar algum objetivo que foi verificado durante pesquisas, entrevistas ou testes.
Alguns pontos importantes a serem ressaltados sobre o Design Thinking:
- Não é uma metodologia, e sim uma abordagem
- Não tem uma receita de bolo perfeita para qualquer situação
- Você pode encontrar diversas definições mostrando N fases diferentes com 5, 6 ou 10 passos. Porém, o importante é que você consiga absorver o que é proposto e aplicar aquilo que faz sentido no contexto que você está trabalhando
Quais são essas fases?

Como dito anteriormente, independente da quantidade de passos/etapas/fases, o que deve ser absorvido de tudo isso, são os pilares e as definições da abordagem.
A Universidade de Design de Stanford (D.School) propõe um modelo de cinco fases:
- Empatia
- Definição
- Ideação
- Prototipação
- Validação
E o Duplo diamante nisso tudo?

O Double Diamond é uma metodologia de Design Thinking que foi criada pelo British Design Council, uma instituição britânica. Dentro desse universo, o Duplo Diamante é uma ferramenta que guia as etapas do processo e busca desenvolver uma solução assertiva para um problema.
As cinco etapas do Design Thinking é representado através de dois diamantes, um com foco na identificação do problema e outro mostrando a solução dele.

Separado em cinco fases — Descobrir (empatia), Definir, Ideação, Entregar e Validar.
A forma de diamante duplo representa visualmente o processo de alternância entre as fases de divergência e convergência ao longo do processo de desenvolvimento de uma solução. Ou seja, o divergir se trata da expansão que é feita para entender o problema ou desenvolver a solução. E o convergir se trata de dar foco às definições ou no tipo de entrega. É passando por essas etapas que será possível traçar as metas e as formas de atingir os objetivos do projeto.

O duplo diamante permite também, “calibrar” se estamos nos detendo a:
- explorar e compreender devidamente o problema (reunir dados, evidências, insights, tudo o que for possível, para esclarecer qual é o problema — necessidade ou desejo a ser satisfeito — que, de fato, pessoas enfrenta na vida real, no dia a dia, sem que fiquemos apenas em nossas suposições/idealizações)
- condensar essas evidências coletadas em uma compreensão tangível, útil, aproveitável, do problema, sem pressa de partimos logo para as soluções
- a partir dessa “condensação” do que é o problema, de fato, propomos não uma, mas várias possíveis soluções — protótipos — que se conectem a ela de maneira eficiente e eficaz (novamente, não de acordo com o que “idealizamos” como solução)
- Ir colocando essas várias soluções ou as mais viáveis dentre elas novamente nas mãos dos usuários — testar os protótipos — para entender o que funciona e o que não funciona e ir melhorando continuamente a partir dos aprendizados
A principal utilidade do Double Diamond em UX Design é servir como metáfora para sabermos se estamos dando a devida atenção, sobretudo ao primeiro diamante, onde estamos no espaço do problema.
Como aplicar o Duplo Diamante?
Para entender melhor o processo, vamos separar os passos. Cada par de “passos” formará um diamante, que batiza o nome do processo. Porém, é possível (e muito provável) que durante o processo seja preciso retornar, realizando novas dinâmicas e estudos para alinhar e refinar o que já foi descoberto. E assim, seguir sem perder o caminho traçado como sendo o mais importante.
A iteração (repetição) é uma parte essencial do duplo diamante, porque uma vez que se chega na entrega, não necessariamente está terminado o processo de Design Thinking. Talvez tenha que passar pelo processo de descoberta novamente caso em algum momento fique claro que as evidências iniciais não se aplicam ao que é desejável como entrega do produto.
1. Empatia
É comum vermos outros nomes para esta etapa como Explorar, Descobrir, Entender, Imergir, ou até mesmo escutar que nesta etapa você e sua equipe estão “abrindo” o diamante, pois estão divergindo. A palavra “Divergir” é porque cada pessoa envolvida no processo está tentando compreender o problema que precisa ser solucionado. Ou seja, ideias que divergem entre si.
O nome pode mudar, porém aqui temos o mesmo objetivo que é abertura do projeto e reunir informações suficientes. Assim, você poderá realmente empatizar-se com seus usuários e suas perspectivas.
Nossa mente foi educada a gerar insights visando a solução imediata de problemas, e aqui somos colocados na ação de nos colocar no lugar dos usuários e absorvermos os aprendizados sobre o problema para que assim consigamos resolver.
Observar e estudar quem são os usuários finais fornecerá contexto para você e seu time sobre diversos aspectos que ajudarão a definir as principais necessidades a serem atendidas.
Pensando nisso, nessa etapa do fluxo, a equipe deve promover pesquisas que visam conhecer melhor os usuários, levando em consideração o que eles:
- pensam
- fazem
- sentem
- esperam do seu produto e quais os problemas que desejam resolver
Assim como no processo de brainstorming, nenhuma ideia é descartada ou julgada. Todas são acolhidas e consideradas, afinal de contas, nos próximos passos elas serão analisadas de acordo com os dados e podem até ser combinadas entre si.
Ferramentas que podem auxiliar nessa etapa
- Kick-offs
- Desk Research
- Matriz CSD
- Entrevistas qualitativas e quantitativas
2. Definição
Essa etapa é necessária para identificar quais são os reais problemas dos usuários. É importante ter em mente que durante o processo outros problemas podem surgir. Porém, é necessário definir qual o problema será realmente atacado primeiro, compreendendo o que é viável para o momento e para o objetivo do projeto.
O motivo de não resolver tudo de uma vez é que uma solução pensada para resolver todos os impasses pode ser inviável ou mesmo não solucionar nada no final. Por isso, é importante definir apenas um problema a ser resolvido. Nesta etapa, você e sua equipe estão “fechando” o primeiro diamante e estão, portanto, convergindo.
Primeiro, você reunirá todas as suas descobertas da fase de empatia e começará a juntá-las. Quais temas e padrões comuns você observou? Quais necessidades e desafios do usuário surgiram consistentemente?
Tudo que contribui para um melhor entendimento do usuário e do seu comportamento frente ao produto ou serviço ajuda nessa etapa para afunilar e, assim, promover direcionáveis que nos ajudarão a desenvolver uma ideia. Afinal, ao fim da etapa de definição teremos uma visão sobre o problema que pretendemos solucionar.
Ferramentas que podem auxiliar nessa etapa:
- Persona
- Mapa de empatia
- Journey map
- Analogias
3. Ideação
O terceiro estágio do processo de Design Thinking consiste na ideação — ou geração de ideias. A essa altura, você sabe quem são seus usuários-alvo e o que eles querem do seu produto. Você também tem uma declaração clara do problema que espera resolver. Agora é hora de pensar em possíveis soluções.
É na etapa de ideação que se abre o outro diamante, focado no desenvolvimento da resolução do problema. O pensamento que nos guiará aqui será divergente, pois estamos “abrindo” novamente para, na próxima etapa, convergir.
Nesta etapa a sua equipe vai se juntar a outras áreas para construírem a solução que pretendem desenhar, como o Time de Marketing, Desenvolvimento, Produto ou Relacionamento com Cliente. Uma equipe multidisciplinar vai garantir diversos olhares sobre o que está sendo desenvolvido e uma solução para diversas pessoas, e não apenas para um único segmento.
O objetivo é, mais uma vez, gerar ideias que possam se aproximar de uma solução ideal para o problema dos usuários. E começar a experimentar de forma ágil essas soluções para que no final apenas uma seja a eleita pela equipe como o melhor rumo a ser tomado.
É importante lembrar que as ideias podem ser combinadas, e a máxima de que “nenhuma ideia é ruim” também é válida por aqui. No fim das contas, pode ser que uma, duas ou três ideias sejam escolhidas e combinadas entre si. Lembre-se: o foco é o usuário.
Neste momento do Design Thinking, é comumente usado o método conhecido como Brainstorming. Seu objetivo é testar e explorar a capacidade criativa de indivíduos e/ou grupos — colocando-o a serviço de objetivos pré-determinados.
Outras ferramentas que podem auxiliar nessa etapa:
- HWM (How we might)
- Yes, no, but
- 6 chapéus de Bono
4. Prototipação
No quarto estágio do processo de Design Thinking, você transformará suas ideias do passo três em protótipos. Um protótipo é essencialmente uma versão reduzida de um produto ou recurso — seja um modelo de papel simples ou uma representação digital mais interativa.
O objetivo dessa etapa é tirar as ideias do mundo do imaginário para o mundo físico, para ser testado em usuários reais. Isso é crucial para manter uma abordagem centrada no usuário, permitindo que você colete feedback antes de prosseguir e desenvolver o produto inteiro.
Isso garante que o design final resolva o problema do usuário, para enfim chegar à etapa de entrega, com algo que esteja bem próximo do serviço, produto, experiência ou projeto final. O projeto pode ser revisitado em diversos pontos nesta etapa, pois o processo é orgânico.
Ferramentas que podem auxiliar nessa etapa:
- Wireframes
- Storyboard
- Teatro
5. Validação
Chega então a quinta e última etapa do Double Diamond, que é a entrega. Ela consiste em concluir o ciclo através de testes diretos com os usuários e colheita de feedbacks em tempo real.
Na hora de observar é necessário analisar se a solução:
- atendeu as reais necessidades dos usuários?
- o modo como eles se sentem, pensam e realizam suas tarefas melhorou?
Leve em consideração questões além da resolução do problema em si, como o tempo de interação, a facilidade de navegação do usuário e a acessibilidade.
Nessa fase, seu protótipo já estará pronto para exibir ao cliente final, mas durante o desenvolvimento do projeto, continue realizando teste para sempre aprimorar o produto.

O Double Diamond não é um processo linear e finito; ele está em constante movimento e pode fluir com o processo criativo de desenvolvimento de interface, e por isso ajuda muito os UI Designers a estruturar seus respectivos processos de criação.
Publicado originalmente no Medium da Menina de UX (abre em nova aba).
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