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Gamificação em UX: O que é e como aplicar

11 de abril de 2024Por Alanis Cruz (LinkedIn, abre em nova aba)

O Design Centrado no Usuário é uma metodologia presente em muitos projetos, focando em beneficiar aqueles que usam o produto ou serviç realizando seus objetivos e suprindo suas necessidades. Porém, a simplicidade acaba não sendo o suficiente para o usuário. Entã com isso, surgiu uma dúvida: Como tornar o meu produto único, simples e divertido?

Como os jogos podem transformar o convencional para o didático e divertido.

O Design Centrado no Usuário é uma metodologia presente em muitos projetos, focando em beneficiar aqueles que usam o produto ou serviço, realizando seus objetivos e suprindo suas necessidades. Porém, a simplicidade acaba não sendo o suficiente para o usuário. Então, com isso, surgiu uma dúvida: Como tornar o meu produto único, simples e divertido?

Essa pergunta foi respondida quando profissionais e startups perceberam que os jogos eram a solução, uma das coisas mais divertidas que temos, abrangente para uma grande variedade de público e um dos principais lazeres para grande parte da população.

Foi com a adaptação entre o universo do Design e dos Jogos que surgiu a Gamificação, termo criado em 1970 pelo Nick Pelling (abre em nova aba), porém, se popularizou em 2010 com as práticas de empresas e profissionais. Nesse artigo, irei explicar de maneira resumida o que é esse termo e como você pode aplicá-lo em seus projetos.

O que é Gamificação?

A Gamificação é a aplicação de alguns princípios e mecânicas do Game Design (abre em nova aba) em ambientes não lúdicos que serve para engajar pessoas, motivar ações e comportamentos, facilitar aprendizagem e resolver problemas, tudo de forma intuitiva e imersiva.

Porém, não confunda, Gamificação NÃO é o mesmo que Design de Jogos, e também não se trata apenas de colocar um sistema de pontos ou ranking no seu produto.

O primeiro passo para aplicar a Gamificação é entender o que o seu produto quer passar, qual é o objetivo? E com isso, quais elementos posso aplicar? Para entender melhor essa fase precisamos passar por alguns termos.

Motivação Extrínseco e Intrínseco

O que faz o usuário usar o seu produto? Talvez seja uma necessidade importante, como um banco digital, ou apenas um aprendizado a mais, como apps de idioma; mas algo que sempre está presente é a motivação dele, o motivo de ele estar fazendo isso pode ser mais racional ou emocional, ou seja Extrínseco ou Intrínseco.

Motivação Extrínseca

É aquela movida por fatores mais racionais que geralmente são traduzidas por punições ou recompensas.

  • Prêmios;
  • Dinheiro;
  • Pontos;
  • Recompensas;
  • Competições;

Motivação Intrínseca

É aquela movida por fatores emocionais, eles podem ser influenciados pela personalidade de cada indivíduo, determinando sua própria motivação para realizar seus objetivos.

  • Autonomia;
  • Pertencimento;
  • Curiosidade;
  • Amor;
  • Aprendizado;

Core Loop e Meta Loop

Se você já viu ou leu sobre a Caixa de Skinner (abre em nova aba) saberá que as pessoas (e animais) precisam de estímulo para realizar suas ações, onde constantemente buscam por uma recompensa, passando assim por um loop.

Dentro desse conceito na Gamificação existe dois tipos de loops que o usuário pode passar: o Core Loop e o Meta Loop.

Core Loop

São as funcionalidades principais na gamificação do seu produto, sendo um conjunto de ações que o usuário tem que realizar repetidamente para cumprir seu objetivo.

Meta Loop

São funcionalidades além do Core Loop, onde adiciona mais coisas que o usuário pode fazer, porém, não sendo obrigatória para a experiência principal.

Player Centered Design

Agora que você entendeu sobre as motivações e loops que o usuário pode passar no seu produto, o próximo passo é entender sobre o Framework Player Centered Design, que coloca não mais o usuário, mas sim o jogador no centro do seu produto.

Irei passar apenas pela segunda etapa, a de Missão, Motivação e Mecânicas, por conta que esse Framework é bem completo e extenso. Então, se quiser saber mais sobre ele você pode acessar aqui (abre em nova aba).

Missão

É entender qual é a situação atual e o objetivo que você quer que o jogador atinja. Essa fase requer um bom entendimento dos problemas que você quer resolver com o seu serviço ou produto, para que assim, uma boa missão seja desenhada para o jogador.

Motivação

São os fatores Intrínsecos e Extrínsecos que motivam aquele jogador a continuar usando o seu produto ou serviço.

Mecânicas

São as features e funcionalidades que vão ser aplicadas para manter o usuário feliz e engajado. Elas devem ser condizentes com a Missão.

Como mapear a experiência de gamificação?

Após você entender melhor todo o processo e alguns termos, agora é hora de definir a gamificação do seu produto ou serviço.

Para mapear toda a gamificação primeiro você precisa entender qual que será a gamificação para o SEU usuário, e para isso, é preciso entender quem é ele e em quais experiências ele irá passar.

Como o processo de pesquisa comum de UX, é necessário entender o seu usuário. Na gamificação não é diferente, quanto mais profundo você entender os seus jogadores melhor capaz será de visualizar seus desejos, sonhos, objetivos, necessidades, etc.

Player Persona

A Player Persona é uma representação detalhada do público do seu produto, construída através das pesquisas qualitativas e quantitativas de UX. Esse tipo de Persona responde a pergunta “o que seus jogadores têm em comum?”

Perfis de Jogadores

Existem alguns arquétipos de jogadores na Gamificação, onde cada um deles tem características únicas.

Predadores

Representa a menor parte do público, eles buscam vencer outros jogadores e são bastante competitivos.

Socializadores

Representa a maioria do público, eles encontram diversão na interação e colaboração com outros jogadores.

Conquistadores

São motivados por pontos e status, apreciando e usando o sistema de incentivo.

Exploradores

Sempre buscam novidades e descobertas no sistema, valorizando a surpresa.

4 Fases da Experiência da Gamificação

Na Gamificação, toda a experiência do produto pode ser dividida em 4 etapas, que terão diferentes missões centralizado em um único objetivo.

Discovery

É a fase de descoberta do seu produto ou serviço e o porquê elas deveriam usá-lo. É aqui que define se o jogador irá usar o seu produto, então, é importante que o time de Design e Marketing estejam alinhados nas diferenciações do seu produto ou serviço em relação aos concorrentes.

Scaffolding

É quando os jogadores têm mais liberdade para usar o que aprenderam no Onboarding, tentando alcançar o sucesso. Supostamente, nessa etapa é onde o jogador mais se diverte, o instigando a ficar na plataforma.

Onboarding

É quando as pessoas aprendem sobre as regras, opções, mecânicas e como jogar o jogo. Aqui, ela está começando a se familiarizar com as regras e mecânicas.

Endgame

É a última etapa, o seu jogador já passou por toda a experiência e vira um especialista. Um Endgame bem projetado pode ser alcançado implementando boas mecânicas e novos conteúdos

Aplicando a Gamificação

E por fim, para de fato aplicar toda a Gamificação no seu produto ou serviço precisa trabalhar com o Framework Octalysis, que consiste em 8 Core Drives que representam passos do jogador dentro do seu produto.

Como também esse Framework é extenso, não irei passar por cada etapa. Mas acaso você quiser se aprofundar sobre você pode acessar aqui (abre em nova aba).

Esse Framework pode ser atribuído a diferentes fases e perfis de jogadores, trazendo singularidade e maior (ou menor) grau de Gamificação para o seu produto ou serviço.

Core Drives nas fases de experiência

Eles podem ser atribuídos segundo as Fases da Experiência, focando nos diferentes objetivos, contexto e missões.

Core Drives nos Perfis de Jogadores

Eles também podem ser atribuídos pelos diferentes tipos de jogadores, utilizando os objetivos, missões e motivações de cada um, trazendo uma experiência mais imersiva e singular

Zerando a Gamificação

Atualmente, a Gamificação é uma arma poderosa no Design, dando maior liberdade e criatividade em seus projetos, além de maior engajamento entre os usuários e taxa de conversão.

Além de que, pessoas gostam de interagir, experimentar e vivenciar, a curiosidade as levam em lugares desconhecidos. Então, se você quer deixar o seu projeto “jogável”, lembre-se de focar no jogador, seus objetivos, motivações e desejos.

Use todos os elementos Gamificados de forma inteligente e planejada, sempre considerando a boa usabilidade e acessibilidade.

Conclusão

Muito obrigada a você, por ler até aqui. Espero que esse artigo te ajude em seus projetos.

Até o próximo artigo! 👋

Referências

Publicado originalmente no Medium da Menina de UX (abre em nova aba).